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Reminiscências de um Cadeirante

 POR PABLO ANDRÉ FLÔRES*

O conceito de capacitismo está definido na Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), da qual se extrai que discriminação por motivo de deficiência “significa qualquer diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de impedir ou impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais nos âmbitos político, econômico, social, cultural, civil ou qualquer outro”.

A cidade de Porto Alegre, para ficar apenas no exemplo da capital dos gaúchos, possui somente 50% dos veículos do transporte coletivo adaptados para usuários com deficiência. Não seria necessário destacar a importância que os ônibus acessíveis têm para os cadeirantes, por exemplo. Afinal, os deslocamentos para o trabalho, a escola, os postos de saúde etc. são diretamente afetados pela impossibilidade de utilizar metade da frota porto-alegrense de ônibus.

Até meados da década de 50, a lei americana previa que os usuários negros de ônibus deveriam ceder os seus lugares caso outro passageiro branco entrasse no veículo. Rosa Parks, em 1955, recusou- se a atender ao pedido de um branco e foi presa por descumprir a lei. No ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos julgou inconstitucional tal legislação. Hoje, decorridos quase 60 anos desse episódio, tal restrição é inimaginável. A partir de que ano consideraremos inaceitável que a frota de ônibus das cidades brasileiras não atenda todo e qualquer usuário, mesmo em cadeira de rodas, ou cego?

Na lição de Stephen Haw- king, cosmólogo britânico, diante da imensidão do universo, o ser humano é uma parcela insignificante do todo. Entretanto, ainda assim, ele, o ser humano, é capaz de obras gigantescas. Vencer o capacitismo é uma dessas tarefas a serem enfrentadas urgentemente em nossa sociedade.

(*) Título em homenagem a Christy Brown, autor do livro Meu Pé Esquerdo.

*CADEIRANTE, MESTRE EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE

Artigo publicado no Jornal Zero Hora - edição de 26/03/2015



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