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ESPASTICIDADE - O QUE É ?

* Artigo de autoria do Dr. Rafael Fontenelle

Espasticidade

A espasticidade é um distúrbio freqüente nas lesões congênitas ou adquiridas do Sistema Nervoso Central (SNC) afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Pode ser causa de incapacidade por si só, afetando o sistema músculo esquelético e limitando a função motora normal. Inicialmente dificulta o posicionamento confortável do indivíduo, prejudica as tarefas de vida diária como alimentação, locomoção, transferência e os cuidados de higiene. Quando não tratada causa contraturas, rigidez, luxações, dor e deformidades.
A definição mais aceita da espasticidade é que se trata de uma desordem motora caracterizada pela hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento com exacerbação dos reflexos profundos e aumento do tônus muscular.
A espasticidade surge em situações clínicas tais como: acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, lesões medulares, neoplasias, trauma crânio-encefálico, doenças heredo-degenerativas e desmielinizantes entre outras alterações do neurônio motor superior.
Na avaliação objetiva da espasticidade podemos utilizar indicadores quantitativos e qualitativos para identificar os padrões clínicos de disfunção. Os testes visam tanto a mensuração da espasticidade em si (tônus muscular), quanto a sua repercussão funcional.
  • Escala Modificada de Ashworth: é a escala mais amplamente utilizada na avaliação da espasticidade forma rápida nas diversas articulações.
  • Goniometria: mensurada pela medida do arco de movimento articular.
  • Marcha: nos pacientes deambuladores pode ser avaliada desde uma observação clínica até as formas mais detalhadas como o laboratório de marcha. Outro instrumento utilizado no laboratório de marcha é a eletromiografia dinâmica.
  • Testes de avaliação das habilidades do membro superior e da dinamometria da preensão.
  • Medida da independência funcional (MIF): para demonstrar as alterações das habilidades nas atividades de vida diária.
  • Índice de Barthel, também é um método quantitativo de avaliação do grau de independência nas atividades de vida diária.
  • Escala Visual de Analogia de Dor. Nos pacientes em que a espasticidade produz dor é uma medida válida para quantificá-la.
  • Avaliação quantitativa da Força Muscular: pode-se utilizar o teste de força muscular ou miometria com dinamômetros manuais.

Espasticidade: Princípios de tratamento

Há evidencias que autorizem citar quatro princípios que devem ser levados em consideração no tratamento da espasticidade.

  • Não existe um tratamento de cura definitiva da lesão
  • O tratamento é multifatorial visando diminuição da incapacidade
  • O tratamento deve estar inserido dentro de um programa de reabilitação
  • O tempo de tratamento deve ser baseado na evolução funcional

Medicina Física Aplicada na Terapêutica da Espasticidade

O tratamento da espasticidade através de recursos da medicina física não deve ser limitado a um número determinado de sessões e sim baseado em evidências objetivas da evolução da capacidade funcional. A utilização dessas modalidades terapêuticas deve estar inserida dentro de um programa com metas e objetivos definidos.

Crioterapia

Calor
O efeito fisiológico do calor na espasticidade é controverso.

Cinesioterapia
A cinesioterapia é uma modalidade terapêutica de consenso na literatura para o controle da espasticidade. É utilizada em todas as fases do quadro clínico que gera a espasticidade sendo à base da reabilitação. A cinesioterapia atua na prevenção de incapacidades secundárias e na reeducação neuromotora .

Mecanoterapia
É o uso de equipamentos para a realização de atividades cinesioterápicas.

Biofeedback (Técnica de Retroalimentação).

Estimulação Elétrica Funcional
A FES é indicada na espasticidade leve a moderada, independente do tempo de lesão, com melhores resultados nas lesões corticais. Na lesão medular os melhores resultados são observados nas lesões incompletas.

Órteses
Órteses são dispositivos que no controle da espasticidade são utilizadas para posicionamento e funcionalidade.
As órteses podem ser indicadas em todas as fases do processo de reabilitação. Devem ser modificadas, substituídas ou adaptadas conforme a idade, demanda funcional e evolução do quadro. A indicação e o uso adequados das órteses convencionais e elétricas melhora a relação do custo benefício dos programas de reabilitação, reduz o risco de complicações e a necessidade de intervenções cirúrgicas.

Outras formas Terapêuticas
Estudos observacionais de outras modalidades de tratamento como a hidroterapia e a equoterapia tem mostrado resultados iniciais satisfatórios.

Tratamento medicamentoso

Procedimentos sistêmicos
Existem no mercado hoje diversos medicamentos utilizados para o relaxamento muscular.
Os agentes farmacológicos mais utilizados são: Baclofen, Benzodiazepínicos, Dantrolene sódico, Clonidina e Tizanidina.

Procedimentos locais e regionais
Os tratamentos locais e regionais são representados por neurólises químicas. Estes são procedimentos realizados pelo médico, onde se injeta medicamento específico sobre os nervos ou sobre os músculos (B).

Neurólise com Fenol
O fenol acarreta uma axoniotmese química, destruindo a bainha de mielina das fibras, com preservação do tubo endoneural, diminuindo o tônus muscular.
Os procedimentos com o fenol são indicados na neurólise de nervos motores. Em caso de nervos mistos esta interrupção pode gerar um estímulo nociceptivo interpretado na forma de dor no território denervado. A incidência de disestesia é de 10-30%.

Neurólise por toxina botulínica
A neurotoxina mais empregada clinicamente é a toxina botulínica tipo A (TBA). Esta toxina atua bloqueando a liberação da acetilcolina na terminação pré-sináptica.
Os efeitos iniciais da TBA podem ser observados entre o 3º e o 10º dia após a aplicação.

Texto retirado do Consenso Nacional sobre Espasticidade realizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (SBMFR).

publicado originalmente no site http://rafaelfontenelle.blogspot.com


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