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O Sal da Terra

O Sal da Terra


Estrada e religiosidade, mas sem pieguices, amparado por um roteiro dinâmico e uma trilha sonora envolvente. Dois universos que se entrelaçam e mostram duas das inúmeras faces do Brasil. Dessa maneira podemos definir o longa-metragem “O Sal da Terra”. O nome, inspirado numa citação bíblica, traz na sua essência o sabor da vida, expressa em situações do cotidiano, tudo mostrado com muita sensibilidade. Exibido pela primeira vez no Paraná, em 2008, teve uma ótima aceitação do público e agora se prepara para voos mais longos. Chega em São Paulo, com estreia marcada para hoje. José Olímpio Cavallin, cadeirante, com sequela de pólio, responde pela produção e roteiro do filme, e fala sobre diversos aspectos nessa entrevista concedida ao blog Sentidos. Desde a execução do longa até as dificuldades de se fazer cinema no Brasil. Em tempo, o filme foi premiado no European Spiritual Film Festival 2009 (http://www.festival-esff.com/page.php?pg=6&PHPSESSID=0188c5aabb99f4445f4ee8455c3e12f6) como melhor filme de ficção. Vale a pena conferir e prestigiar essa produção nacional de qualidade. Mais informações no site http://www.osaldaterra.com.br/.

Olímpio, desde quando você trabalha com cinema?

Acho que já "nasci" fazendo cinema (risos), pelo jeito que eu gosto de enxergar o mundo, as pessoas... Tudo parece ter enredo, nada é gratuito. Mas, pra valer, comecei em 1991 produzindo vídeos.

Como surgiu a ideia do O Sal da Terra?

A ideia original foi do Eloi Pires Ferreira - o diretor do filme, que me chamou para levarmos juntos o projeto adiante. Acabamos evoluindo o primeiro conceito e, por uma sugestão genial do colega roteirista Altenir Silva, transpusemos a história para o ambiente estradeiro, transformando o filme num Road Movie. E a proposta acabou ficando bem mais ambiciosa e mais arriscada, econômica e cinematograficamente.

Encontrou dificuldades na produção do filme?

Fazer cinema no Brasil ainda é muito duro. Existem as leis de fomento à produção, mas é o produtor que precisa garimpar os recursos que as empresas aplicam nos projetos, via incentivo fiscal. Isso emperra o andamento das produções e nos torna uma espécie de vendedores de sonhos. Tentamos convencer diretores de marketing a "comprar" ideias abstratas, que só existem em nossas cabeças, até que se transformem em filmes. Depois, a dificuldade passa para a área da distribuição, num mercado saturado pelo produto audiovisual norte-americano. As janelas são poucas e a exibição de nossos filmes passa por um verdadeiro gargalo... Tem de gostar muito da coisa, para produzir filmes no País. Esse é o nosso caso, porque acreditamos que a atividade cinematográfica colabora bastante na formação da identidade nacional. A história do Brasil confirma isso, quando vemos que o cinema brasileiro - nas décadas de 1950 a 1970 - foi a vertente cultural mais identificada com o gosto popular. A TV não matou o nosso cinema. Na realidade, ela só ainda não despertou para um casamento altamente recomendável, que pode alavancar muitas obras importantes para o audiovisual nacional e realimentar um mercado economicamente - e não só financeiramente - prodigioso. A TV ainda está vivendo a era do faturamento publicitário e rápido. O cinema propõe lucros mais "sociais", baseados não só na receita, mas na veiculação de conteúdos mais relevantes.

Onde já foi exibido e como foi a aceitação do público?

O Sal da Terra teve um pré-lançamento regional, tipo um teste de público, no Paraná em 2008. As plateias que o assistiram saíram gratificadas das salas de cinema, não soubemos de reclamações ou críticas pesadas ao trabalho. Pelo contrário, ficamos confiantes o suficiente para, agora, lançá-lo nacionalmente. Existe um vício de mercado que torce o nariz para trabalhos que fogem à temática costumeira dos filmes brasileiros. Nosso filme não tem apelos de violência ou de qualquer outra glamourização da miséria humana. As mazelas da vida estão presentes no filme, sim, mas numa dose condizente com a esperança que anima as pessoas a prosseguirem suas vidas com fé. Não uma fé religiosa, proselitista, fechada num esquema exclusivista, mas uma fé mais ampla, aberta a tudo o que eleva e promove o lado espiritual do homem. É algo como resgatar a poesia que existe na vida, e nós acabamos esquecendo de sua importância no dia-a-dia.

Qual a sua expectativa com relação a estreia em São Paulo?

São Paulo tem um jeito de "Meca" das artes, assim como o Rio de Janeiro parece ser um pólo de reverberação turística e cultural. O que dá certo em Sampa tem muita chance de ir bem em qualquer cidade brasileira. O que "emplaca" no Rio ganha uma repercussão de mídia extraordinária, também. Nossa expectativa tem a ver com esse alcance massivo, essa janela extraordinária que podemos alcançar, se o filme cair no gosto do público. E isso é imprescindível, quando se tem um esquema tão pequeno de distribuição como o nosso.


Legenda da foto: Edson Rocha, que faz o padre Miguel, em mais uma missa itinerante na boleia de seu caminhão, pelo interior do Brasil

fonte da reportagem: http://blogsentidos.blogspot.com/


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