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BOCHA ADAPTADA - Opção saudável para pessoas com deficiência física

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Qualidade de vida e integração social. A prática da bocha oferece esses benefícios e muito mais. "Por meio da modalidade, eu me reintegrei socialmente. O treino fez com que a doença não avançasse, o que poderia, um dia, paralisar meus movimentos. Antes, eu tinha a sensação de que na minha vida faltava algo. Agora, não", revela Eliseu dos Santos, de 34 anos, que tem deficiência física em razão de distrofia muscular progressiva e é jogador profissional da seleção brasileira paraolímpica. Sim, além da evolução pessoal, o cadeirante descobriu a vocação de atleta. "Em 2005 fui levado por um amigo para conhecer a Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP) e lá, depois de um convite de Darlan Ciesielski Júnior, treinador da equipe de bocha, iniciei os treinos", lembra. Aos 10 anos, a patologia atacou os músculos de Eliseu, comprometendo o movimento de pernas e braços.

Mesmo após intenso tratamento na adolescência, o quadro se agravou e ele, tornou-se cadeirante. "O esporte proporcionou a mim fôlego e força para me locomover da cadeira para cama e de lá para cá, além de melhorar a respiração. Porém, me deu muito mais do que eu poderia imaginar: a bocha proporcionou-me um casamento", diverte-se. O cadeirante conheceu sua esposa nos treinos, já que praticava manobras todos os dias, por, no mínimo, duas horas por dia. Hoje, o campeão chega a treinar até seis horas seguidas. Tamanha dedicação já lhe rendeu recompensas como a medalha de bronze na categoria individual e ouro no jogo de dupla nas Paraolimpíadas de Pequim (China). Sem patrocínio, o jogador se mantém com o "Bolsa Atleta", um auxílio que o Ministério do Esporte cede para despesas pessoais e custos de treinos e competições.


Como se joga bocha?
É comum vermos em praças e clubes idosos jogando essa modalidade. Bolinhas e uma reta não explicam o que o esporte realmente é. A Sentidos explica: A bocha adaptada é similar à convencional: o objetivo é encostar o maior número de bolas coloridas na bola-alvo, conhecida como bolim. Ganha-se pontuação quando se chega à esfera do alvo. O jogo consiste em um conjunto de seis bolas azuis, seis bolas vermelhas e uma bola branca (bolim). A quadra dever ser lisa e plana como o piso de um ginásio em madeira ou sintético. A área mede 6 metros de largura por 12,5m de comprimento. É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores. Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, em duplas ou em equipes. Os atletas são divididos por classes conforme a deficiência.


Entenda a divisão de classes
Na bocha adaptada existem as classes: BC1, BC2, BC3, BC4. A categoria BC1 é composta por pessoas com tetraplegia espástica severa com ou sem atetose, na qual há pouca amplitude de movimentos ou força funcional em todos os movimentos nas extremidades e no tronco. São atletas que dependem da cadeira de rodas e precisam de um ajudante durante o jogo, assim como de assistência tanto para a remoção da cadeira de rodas quanto para pegar a bola. Na classe BC2 jogam pessoas com tetraplegia espástica de severa à moderada, com os mesmos itens relacionados na classe BC1. A única diferença é que não precisam de ajuda de terceiros. Os atletas da BC3 têm maiores comprometimento motor e utilizam calha e um calheiro para realizar o jogo como suporte para remessar a bola. Na BC4 aos jogadores possuem diplegia de moderada à severa com controle mínimo nas extremidades das mãos, e ainda, com limitações de tronco e pouca força funcional nos quatro membros. Eles não recebem ajuda. O treinador Darlan Ciesielski Júnior é também o técnico da seleção brasileira. Ele diz que não há grandes dificuldades no início dos treinamentos porque a modalidade é totalmente adaptada para pessoas com deficiência. Um empecilho porém atrapalha a expansão do esporte no Brasil: o material necessário para os treinos. "O kit é pessoal e levado para todos os jogos. O ideal, vendido em Portugal, custa cerca de 350 euros. Infelizmente nem todos os jogadores têm condições de importá-lo. Mas a Associação Maringaense de Desportos para Deficiente vende materiais de boa qualidade com preços acessíveis", fala Darlan.

 


O esporte como recuperação
Otávio Cícero Pinto protagoniza outra história de superação. O jovem de 18 anos, morador de Carua ru (PE), nasceu com a síndrome de Duchenne, que o colocou em uma cadeira de rodas no início da adolescência. Dois irmãos também tiveram o mesmo diagnóstico, sendo que um deles morreu. Com o objetivo de motivar os dois filhos, Márcia Belo Pinto conheceu a Associação dos Portadores de Deficiência de Caruaru (APODEC). Lá, Otávio e o irmão Weverton Belo conheceram a bocha e se encantaram. Há cinco anos, a dupla treina e se profissionaliza. Otávio tornou-se atleta na classe BC3 e já coleciona medalhas e troféus em campeonatos regionais. "O esporte me abriu horizontes. Por meio da competição, pude conhecer novos lugares, como Brasília e Curitiba, além de conquistar amigos por todos os cantos", comemora. Com os treinos constantes, a doença estabilizou: não comprometeu músculos saudáveis e corrigiu o alinhamento do seu tronco. O sonho do esportista é conquistar uma vaga na seleção brasileira, por isso os treinos são intensos visando esse objetivo.

Infelizmente, a equipe de Caruaru não possui espaço físico para continuar os treinos. "A previsão do retorno das atividades é abril, porque estamos em negociação com a prefeitura sobre a liberação de espaços em colégios da rede municipal de ensino. Vamos treinar nem que seja na rua, já que iremos competir no Regional Norte e Nordeste, em junho, em João Pessoa (PB)", fala Esnane da Silva, diretor de esportes da APODEC.

A nova geração
Dirceu José Pinto, campeão paraolímpico e mundial de bocha, está se preparando para a Copa do Mundo de 2011, em BelFast, na Irlanda do Norte. Ele joga há nove anos e diz que é muito bom ver novos atletas se dedicando a esse esporte. "Hoje, as condições são melhores, já temos equipamentos que são utilizados pelos times europeus. Essa facilidade motiva jovens a conhecerem e praticarem a modalidade. Os que se destacam e chegam ao nível de seleção, passam a receber bolsas que custeiam as despesas", afirma.

Ganhador de medalha de ouro na categoria individual nas Paraolimpíadas de Pequim e parceiro de Eliseu Santos na conquista de outra medalha, Dirceu ajuda a divulgar o esporte no Brasil. Para o professor Ivaldo Brandão, presidente da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), os resultados são animadores. "Apesar da carência em relação à divulgação, nossas últimas medalhas fizeram a imprensa dar um pouco mais de atenção à modalidade. Todo tipo de divulgação é válida, já que se trata de um esporte que realmente muda a vida de pessoas", conclui. Brandão acredita que a bocha será destaque nas Paraolímpiadas de Londres, pois os olhos de todos estarão voltados para o desempenho das equipes, já visando os jogos que acontecerão no Rio de Janeiro, em 2016. "O Ministério do Esporte precisa nos dar mais atenção, pois fazemos milagres com verba curtíssima e mesmo assim, estamos cada vez melhores. O esporte tem alcançado municípios, os mais carentes do País, e o número de jogadores cresce a cada ano. Esse é o jogo da inclusão, porque qualquer pessoa com deficiência física pode participar, com adaptações ou não."

O campeão Dirceu deixa um recado para os iniciantes: "A primeira atitude que o atleta deve tomar é sair de casa, perder a vergonha da sua deficiência e dedicar-se com muito empenho ao esporte. Eu mesmo treino até 12 horas por dia. Por mais difícil que seja, devemos buscar o melhor, porque o resultado certamente será positivo, em todos os sentidos"

fonte: REVISTA SENTIDOS n. 63 - ABRIL DE 2011




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